Espero que se acabe
que se afunde, se afogue
se enrole, se desdobre.
Espero que resista
ao frio inverno do medo
que insista, que instiga.
Espero que não termine aqui,
como o fim de algo
que não continue, mas não finde.
Espero no credo, o crer
espero no sempre o vago
espero esperar ainda que sem esperanças.
Espero não maldizer o que disse
não pensar no que não disse
não tentar sem acreditar.
Espero que queime, que arda
que fira, que machuque
que sinta, que tenha.
Espero que me espere na esquina
na rua, no nada, em você.
Espero que queira como eu,
como tu, como nós.
Espero que venha, não tema
diga, não diga, desista.
Espero no espelho, na lente
no vento, no ponto
na ponte de partida, chegada.
Na janela, no vidro
no começo da fossa, festa.
Espero o final que componho, apanho!
