Poemas

05/03/1976

5 de março de 1976 · admin

Escreverei, mas não direi do meu amor.
Falarei de minhas noites de insônia
de meus tormentos interiores
de minhas sensações de desesperos e ansiedades,
mas não contarei mais meu amor.
Não direi as tantas vezes que chorei,
que me debrucei em móveis travesseiros
e deixei correr lágrimas quentes e sinceras;
não direi as tantas vezes
em que desejei desaparecer do mundo,
nada direi, não quero ser mal interpretada.
De que me adianta falar
sobre um sentimento que mal traduzo?
Quem vai acreditar quando eu disser
que cheguei a viver os momentos mais felizes
e infelizes de minha vida com você?
Não, não citarei minhas orações
meu choro engasgado, atropelado e afogado.
nem falarei de minhas andanças
por aí, por alí, sem destino,
sem caminho, sem você.
Não vale a pena dizer
das canções que lhe cantei
dos poemas que lhe fiz
dos sorrisos que lhe dei.
Quem vai acreditar que é sincero?
Quem haverá que me diga compreender-me?
Pagará a pena contar ao mundo
de um amor que sinto e que eles não o conseguem?
Tentarei falar sobre tudo,
minha vida, minhas aspirações,
meus onhos, minhas esperanças, mas não poderei dizer
que esse tudo é todo baseado em você.
Não haverá dramaticidades
ou quaisquer outros absusos,
aliás se eu não puder dizer
nada que me diga você
nada mais haverá do que eu possa falar
e terminarei meu poema sem precisar começá-lo.

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