Poemas

19/08/1976

19 de agosto de 1976 · admin

Um homem sem concordâncias,
um medo de existir,
a água jorrando por cima de cactos.
A terra ardente, fervente e a lama.
Eu juro que iria prá Marte!
Um tempo de revolta,
até a Inês já é morta,
(a rima não foi proposital)
um credo de não se crer.
Nem afeta o ar poluído
esse sentido de não ser.
ATé que eu contaria um verso
e rezaria um terço, se resolvesse.
Anúncios mil, mil previsões,
chuvas na manhã paulistana
(quem sabe ela late toda a podridão)
petróleo, assassinato, terremoto,
que mais? Já basta!
Eu me elegerei presidenta
pelo menos do que não é “presidível”.
E “Fords” em profusão
declaram a invunerabilidade do vulnerável
e a vulnerabilidade do invulnerável,
e eu do meu canto só observo
vendo sorrisos ensaiados,
em bôcas estragadas e podres.
Ensaio uma rima e uma peça,
a peça pregarei a mim mesma,
a rima pregarei na parede.
Um homem de cabelo tingido,
de olhos ensaboados,
passa na minha frente
e nem me diz bom-dia;
ele não passa, já passou.
Flores ainda brotam. De onde?
Do colchão da minha cama.
O egocêntrico e o epicentro
nas metáforas da vida.
Ah, quando houver oportunidade,
darei um beijo na tua bôca
bem estalado, como ovos que tais…
“Locus amenus”, “locus horribis”,
locus in loco. Loucura total.
Anticonstitucionalissimamente.
Prá que uma palavra tão grande?
Prá você soletrar de trás para diante.
O mestre, à mostra demonstra
que somos todos mortais e ilegais.
Um dia te pego de jeito,
te amasso em meu peito…
ah, nem quero pensar.
Intento, isento, portento,
saibam que estou “por dentro”.
Por dentro de tudo e por fora de mim.

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