Ponto final na vida agitada
no corpo cansado
ou tempo de nada.
Cara sem cor
mãos sem vontade
pernas exaustas.
Maldizendo a mesquinhez
a incompreensão do incompreensível
a ilusão do impossível, inatingível
surge a profetização do improfessável.
De criança ao adulto
da vizinha ao irmão
da rua à esquisa
do teu ao que poderia ser meu.
Chega! Não quero mais olhar pra trás.
Chuva incessante
sol invisível
calor escaldante, impossível.
Espelho quebrado
aparência mortal
olheiras degradantes.
Caminho íngreme, angustiante
espera insensível, inexocrável
sentidos intensos, fugidios.
Ponto final ao repreensível
ao inexprimível
ao sinal patente da cicatriz.
Fim da canseira
fim do tremor
fim do insensato.
Quebra da sentença
de presença, ausência da ânsia.
Seria escassez de vocabulário?
Seria solução para o insolucionável?
Seria o medo de ser dito?
Esperanças infantis
imagens em séries
em discordância com a realidade.
Bôca aberta, bolsos vazios
pés descobertos
frio pela fresta, pós-festa
Sensação de alívio pelo desabafo
frivolidade na fé.
Criar barreiras, gritar por ajuda
sentar num banco da praça
esperando a esmola caída do céu.
Imensidão assustadora
empresa nefasta
criatura demoníaca.
Me calo, me assusto
Aludo a orações ultrapassadas
roupas rasgadas, ensacadas para presente.
Com licença? Lhes peço clemência.