Poemas

28/10/1976

28 de outubro de 1976 · admin

Corro descalça por sobre o chão calçado
procurando algo que me fugiu.
Gostaria de sentir um lugar de cimento duro
uma relva fina, leve, fresca
e em lugar de mim outra pessoa.
Meus pés pisam firmes
mas minha cabeça parece estar ao vento
desmembrada de meu corpo.
Meu peito queima e meus lábios
quase se abrem para proferirem
um grito lascinante de dor.
Dor por tudo o que não tive,
dor por aquilo que perdi.
Minha única vontade nesse momento
é deixar a vida acontecer,
esperar que o destino coloque sua mão
sobre mim e me faça seguir seu curso
simplesmente, naturalmente.
Estou voltada para meu eu,
nada consigo ver além de mim
sou sêr único vagando por um espaço repleto.
É possível que tudo seja apenas fuga
do mundo, das pessoas, de minha própria vida,
quero fugir para sobreviver
à tanta confusão que oprime meu mundo.
Sinto-me machucada, humilhada pela vida
preciso encontrar aquela que fui
há tempos atrás, quando ainda era gente.
Sol, queima minha pele,
extraía dela toda a sujeira encalacrada
por anos de burguesia e de condicionamento,
depois pedirei a chuva para lavá-la.
Continuarei correndo até que se recupere
ou então até que me desfaleça esgotada
por correr e viver.

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