Poemas

Ensaio para uma obra

28 de janeiro de 2024 · admin

Camila mirava o lago do Ibirapuera, revendo lentamene sua vida desde sua infância. Desde a casa caiada co rachaduras nas paredes e até mesmo na escola fundamental que separava os meninos das meninas…foi há tanto tempo., outros tempos.

Em seus devaeios, tudo parecia retornar em seus pensamentos como um filme, mas por algum motivo não se encaixavam necessariamente. Uma imagem levava à outra e à outra com tamanha rapidez que ao mesmo tempo não a deixavam coordernar logicamente todos os eventos em seus pensamentos. Mencionando Albert Camus que escreveu algo como “quem viveu cinco minutos tem lembranças para a vida inteira”. Então quantas lembranças, Camila conseguiria ordenar naquele momento? Foram tantas, tantas vidas em tantos anos.

Seu velho pai, atrapalhado, sem rumo, sem meta, mal sabia escrever seu próprio nome, mas era tão carinhoso, chegou da Itália sem futuro, mas trabalhou duro com uma coragem indescritível. Ele mostrou a Camila um caminho que ela buscou seguir. E sua mãe, meio portuguesa, também semin-analfabeta, mas com um senso de justiça desde a essência.

Quantas vezes Camila viu aquela mulher se levantar com coragem contra qualquer injustiça ou contra quem fizesse algo aos seus filhos!! Ela não parecia ter medo de nada e de ninguém apesar de ser tão pequena e parecer tão frágil. Uma vez ela escondeu os pequenos, eram quatro filhos, dois meninos e duas meninas. Até eram poucos filhos para o padrão da época que estava em torno de seis. Camila gostava tanto de seus irmãos, todos menores, que apesar de ter de dividir o “sonho” que comprava na padaria da esquina,. do português Sr. Lino, ainda assim não se importava, era muito bom saber que eles faziam parte de sua vida, e desbrava com eles os espaços da região.

Numa dessas viagens de desbravar a região descobriram uma fábrica de poliestireno (era assim que hmavam aquele material). Pareciam pedrinhas coloridas e contavam que com aquilo faziam plásticos.Eram sacos enormes daquelas pedras e Camila e os irmãos começaram a fazer caminho fixo para aquela área, através de um muro alto em que podiam olhar para baixo e ver aqueles homens trabalhando naquele material. Não dava muito para saber como trabalhavam, mas era muito divertido ver as pedrinhas coloridas sendo transportadas de um llugar para outro. Era uma micro-empresa? Uma empresa? Naquela época não dava para fazer qualquer distinção. Tudo era tão precário que existir já era uma novidade.

Mas aquelas pequeninas “pedrinhas” coloridas eram tão lindas que os irmãos iam com frequência, para ver. Mas, nada poderia substituir as brincadeiras de rua que brincavam entao. Pulavam corda, pega-pega, amerilinha, esconde-esconde, brincavam de roda, de queimada, de duro e mole….nossa quantas brincadeiras!! Ficavam o dia todo na rua e só voltavam pra casa, suados, e sujos quando escurecia. Era uma vida tão simples mas tão completa…Valia a pena parar e pensar com saudade de sua infância.

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