Tiram-me o sol, a visão da lua
Sugam-me o sangue e o suor
Assomam-me as lágrimas e o peito
impunemente…
E o mundo continua girando
incansavelmente.
Cospem-me na cara. E o que faço eu, meu Deus?
Choro, grito, sofro e sinto.
Haverá um dia em que eu tenha algo meu?
Talvez eu tenha, uma música, um sonho, uma missão?
Algo que não seja destruído?
Sufoca-me esse ar e também a sensação de perda.
Sufoca-me o medo que sinto das pessoas.
Talvez outro solo, outro chão,
talvez um nada de consequências.
Queriam-me perdida…
Sinto a estranheza de meus trações diante
do espelho cansado e sujo,
Sinto a indignidade de meus olhos quando miram
essas paredes essas tantas paredes infectadas de solidões,
de anseios e de desesperanças.
Um sonho absolutamente meu, onde consegui-lo?
Debaixo de meus pés descalções?
Preso em minhas mãos pequenas?
Por que meu eu tão forte, tão sensível?
Essa força incontrolavél a machucar minha alma?
Cansei-me do espaço que sonho, do tempo que me resta,
de sentir o que me escapa.
Não me tirem nada mais, mas entrego-lhes o que ainda guardo
tomem, arranquem de mim meu espectro de vida
para que nada fique de testemunho.
