Poemas

Sem fé

25 de novembro de 2023 · admin

Morreu-me a fé

Morreu-me a crença na verdade absoluta.

Morreu-me o gosto e desgosta-me o resto.

Morreu-me o sonho, morreu o dia, morri no tombo.

Murcharam as pétalas da flor simólica do

bem-me-quer e mal-me quer.

Morreu o macho do casal de pombos

Apagou-se a luz do pobre pirrilampo,

perdeu-se as formas da estátua de Vênus e

ainda nem notaram…

Morreu a esperança dos desavisados,

morreu a vontade dos que criam,

sucumbiu até a fome do estômago vazio.

Secou a fonte, secou o mar, cessou a brisa,

Fechou o tempo, rachou o céu e despencaram as nuvens.

EScondeuu-se a lua com medo do sol e fugiu o sol com medo de tudo.

Quebraram-se as regras de modo contrário,

morreram-me as forças para contrariá-las

e a dos demais para reformulá-las.

Perdi a calma, perdia cabeça e morreu-me a votnade de continuar.

20 de março 77

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