Morreu-me a fé
Morreu-me a crença na verdade absoluta.
Morreu-me o gosto e desgosta-me o resto.
Morreu-me o sonho, morreu o dia, morri no tombo.
Murcharam as pétalas da flor simólica do
bem-me-quer e mal-me quer.
Morreu o macho do casal de pombos
Apagou-se a luz do pobre pirrilampo,
perdeu-se as formas da estátua de Vênus e
ainda nem notaram…
Morreu a esperança dos desavisados,
morreu a vontade dos que criam,
sucumbiu até a fome do estômago vazio.
Secou a fonte, secou o mar, cessou a brisa,
Fechou o tempo, rachou o céu e despencaram as nuvens.
EScondeuu-se a lua com medo do sol e fugiu o sol com medo de tudo.
Quebraram-se as regras de modo contrário,
morreram-me as forças para contrariá-las
e a dos demais para reformulá-las.
Perdi a calma, perdia cabeça e morreu-me a votnade de continuar.
20 de março 77
